Maria Antónia Santos é uma artista plástica portuguesa nascida em Lisboa. Aqui poderá encontrar o seu portfolio de trabalhos de pintura, tapeçaria, colagens, volumentos e desenho, bem como a sua biografia, prémios que tem ganho e outros textos e comentários realizados por especialistas ao longo das exposições e exibições que tem realizado. Para mais informações entre em contacto directo com a artista Maria Antónia Santos.
Biografia de de Maria Antónia Santos
Nascida em Lisboa
Curso da Escola de Artes Décorativas António Arroio em Lisboa e da Escola Supérior de Belas Artes em Lisboa.
Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian.
Estudou Tapeçaria na l’École National de Tapisserie d’Aubusson(França)
Membro da l’European Network de Hannover.
Membro da l’Association International des Arts Plastiques (UNESCO
INDIVIDUAIS
2009 – “Para uma Escrita” – Galeria Casa Roque Gameiro
2007 – “Trilhos”- Fundação Marques de Pombal- Algés
2004 - ”Tempo di Tempio” - Galeria 9arte - Lisboa
“Fracturas” - Galeria Ceutarte - Lisboa
2003 - “De las Sombras y Silencios” - Galeria Icaría – Seville
2001 - “Cercanias”- Galeria de Arte dos CTT - Lisboa
“Objectos Texteis” - Art Gallery 78 - Gdynia/Polonia
1999 - “Espaços de Silêncio e Ocres” - Galeria de Art dos CTT - Lisboa
1995 - “Obra Sobre Papel” - Espaço AVE - Madrid
1994 - “Pinturas do Silêncio” - Galeria Barata - Lisboa
1993 - “Risos e Máguas” - Galeriada Casa dos Crivos – Braga
1991 - “Tapeçarias” - Galeria de Art dos CTT - Lisboa
1988 - “Tapeçarias” - GaleriaNogueira da Silva – Braga
1987 - “Pintura” - Espaço AVE - Madrid
“Tapeçarias do Suor,do Riso e do Cansaço” - Museu Nacional
do Traje - Lisboa
“Tapeçarias” – Galeria da Cooperativa Àrvore – Porto
“Um Olhar a Sul” - Galeria da Sociedade Nacional de Belas
de Lisboa
“Pinturas da Terra e dos Frutos” - Galeria Graffiti - Lisboa
COLECTIVAS
2007 – “III Muestra de la Postal del Verano”- Sevilha/Espanha
“7th Baltic Biennal of Textil Miniature – Gdynia/Polónia
“ Passiones”- Sevilha/Espanha
“I Salão Internacional de Artes Plásticas” – S.João da Madeira
2006 - “II Muestra de La Postal del Verano” – Sevilha/Espanha
2004 - “Miniartextil” - Como/Italie
Galeria Corrente d’Arte - Lisboa
Cooperativa Árvore – Porto
GaleriaCeutarte - Lisboa
2003 - Galeria 9arte - Lisboa
Galeria 9arte – Matosinhos
2002 - “Miniartextil” - Como/Italie
Cooperativa Árvore – Porto
2001 - Salon de Otoño - El Parthenon - Barcelona/Espagne
Galeria Rúben Cunha - Lisboa
2000 - “Por Timor Loro Sae” - Póvoa do Varzim
“Por Timor Loro Sae” – Batalha
”Miniartextil” - Como/Italie
1999 - “4th Baltic Biennal of Weavers Miniature” - Gdynia/Polonia
1998 - “VII European Textil Network” - Madrid
“Miniartextil” - Como/Italie
1997 - Museum Max Berg - Heidelberg/Alemagne
GaleriaMarabelló - Barcelona
Colectiva ANAP - Porto
Colectiva ANAP - Aveiro
1996 - “V Triennal International de Mini-Textils” – Angers/França
“Consonâncias” - Casa dos Crivos - Braga
“Textil Experimental” -Centro Cultural - Aveiro
“Miniartextil” - Como/Italie
Colectiva ANAP – Loulé
Colectiva da Cooperativa Árvore - Porto
1995 - “Textil Experimental” - Centro Cultural - Aveiro
“8th International de Tapestry” - Lodz/Polonia
“Miniartextil” - Como - Italie
Colectiva - Tampere - Finlândia
Colectiva ANAP - Faro
Colectiva da Cooperativa Árvore - Porto
1994 - Colectiva - Huelva/Espagne
“Portarte” - Portimão
1993 - Colectiva da Cooperativa Árvore - Porto
“Portarte” - Portimão
1992 - “Portarte” - Portimão
1991 - “II Simpósio de Tapeçaria Contemporânea” - Loures
1989 - “Salão Nacional de Belas Artes” - Sociedade Nacional de Belas
Artes - Lisboa
1988 - “I Simpósio de Tapeçaria Contemporânea” - Loures
“I Bienal de Tapeçaria de Matosinhos” - Matosinhos
1987 - “Colectiva da Cooperativa Árvore” - Porto
1986 - “Salão Nacional de Belas Artes” - Sociedade Nacional de Belas
Artes - Lisboa
1985 - “Salão Nacional de Belas Artes” - Sociedade Nacional de Belas
Artes - Lisboa
1984 - “Colectiva da Cooperativa Árvore” - Porto
“XX Salão de Outono” – Estoril
Catálogos
«Recortes e Cortes:
Um gestualismo sugestivo
Num registo eminentemente gestualista, procurando referências que as próprias pinceladas vão provocando e justificando, estes «Recortes e Cortes» de Maria Antónia Santos apresentam-se numa exposição cheia de unidade que vai buscar a força, por um lado, ao rigor do traço, e por outro lado, ao sentido compositivo, de grande poder de sugestividade poética. Encontrando-se determinada por sinais concretos de identidade, a obra pictórica de Maria Antónia Santos não evita, entretanto, que cada obra assuma uma dicção única, o que gera distintas correntes poéticas enunciadas. É que são muitos anos os que leva a artista a elaborar um discurso que cada vez mais surge com maior sobriedade plástica. Nitidamente, a sua linguagem plástica refinou-se, as manchas de cor são mais subtis, marcando o tom da tela com os seus cinzentos, ocres, vermelhos ou azuis, cores qu encontram um eficaz contraponto visual no emprego das não cores, isto é, o branco e o negro, cuja disposição marca o ritmo visual das obras. Pintura de forte impacto visual que acentua a arquitectura das formas expressivas fundindo-se num poderoso gesto da material em texturas de raro encanto, a artista exerce sobre a sua obra todo o peso da linguagem cromática, como se uma estela tradicional recolhendo a essência das coisas descesse sobre elas. Os cromatismos, com especial incidência os dourados, os vermelhos, os azuis e os cinzas, elevam eficazmente a tensão, ampliando as várias leituras das imagens que se vão multiplicando em memórias visuais, como se de um palimpsesto se tratasse, por donde se assomam animando as causa de cada peça.
Matérias de cor retorcendo-se, eventualmente com alguns agregados de estímulo aparentemente arqueológico, e pintura de atmosfera na luz onde os limites se fundem para abrir dimensões, emulsionam-se catalizando estruturas decididas, fazendo com que as mãos da artista nos ofereçam uma mostra onde é possível sentir o palpitar de uma estética alcançada para as sensações num transcender perene da matéria das ideias, sem que a força e o aparente tremendo esqueçam jamais a beleza. Beleza que gravita em torrentes e equilíbrios como se tudo fora uma semi-vigília onde a pintura é lugar e a imagem sonhos que a memória alberga.
Porque, embora só uma minoria dos trabalhos agora apresentados se refiram explicitamente à caligrafia e escrita, a verdade é que o objectivo de todo o conjunto lhe está remanescente, aparecendo, portanto, com um alfabeto muito peculiar, que encontra no inesperado e na surpresa visual a sua justificação primordial.
Por esta mesma razão, a autora chega quase a anular todas as referências, para apresentar tudo em estado de insinuação que um poderoso automatismo vai fechando, para abrir um campo de experimentação cuja deriva alcança, não poucas vezes, o terreno do informalismo. Nesta etapa, a pintura irrompe com toda a sua força, inundando as telas e os papéis, até fazer deles um veículo de propostas que parece ter sempre um ponto de convergência no seu interesse pela luz; pelo binómio que exerce em função das sombras tanto no conceptual como no horizonte de fundo insular aberto ao nosso Atlântico.
Rodrigues vaz
«Para uma escrita». Exposição de pintura apresentada na Casa Roque Gameiro que traduz o ritmo visual dos trabalhos de Maria Antónia Santos.
Óleo, acrílico, verniz, grafite, folha de ouro, são alguns dos materiais que esta criadora manuseia com mestria para compor a obra final, que gravita no seu pensamento desde início de todo o processo criativo.
Maria Antónia Santos expõe na sua obra pictórica emoções, liberdades, segredos. Emoções que transpiram nos traços distintos que coloca estrategicamente na tela. Liberdades de
pensamento, vividos no espaço onde trabalha activamente e gere as emoções. Segredos que conferem unicidade às suas pinturas, registos gestualistas que têm uma linguagem própria que flui livremente.
Um olhar artístico perspicaz e com grande sentido de composição. «Para uma escrita».
O Vereador da Cultura da C.M. da Amadora
António Moreira
A PINTURA POR SI PRÓPRIA
Descobrindo novas texturas quer pela utilização de várias camadas de óleo quer pela integração de bocados de tecido e outros materiais, Maria Antónia Santos está a depurar a sua inicial linguagem já de si despojada e marcada por silhuetas sugeridas pelos volumes, no caminho da investigação da noção de limite e do espaço pictórico levada por um subconsciente emocional e vivencial, que se deixa nitidamente sentir na hora de compor os seus quadros.
Essencialmente variações sobre dois temas principais - frutos e personagens do quotidiano (seu) - as suas pinturas acabam por apresentar-se como a amortização de uma ideia largamente manejada, em que as figuras começam a ceder lugar aos sígnos e estes a converterem-se em símbolos ambíguos, em meras estruturas polivalentes, sobre fundos muito cuidados.
Preenchendo os espaços com cores definidas, na maior parte das vezes contrastantes entre os tons frios e as notas quentes, onde o branco actua como sinal de purificação e de contraponto, esta exposição marca uma evolução estilística na obra de Maria Antónia Santos, que aqui se sente numa nítida fase de transição, caracterizada principalmente por uma maior redução de formas, pela simplificação da expressão e por um distanciamento em relação à obra de arte como espectáculo, como objecto que deve ser fruído provocando emoções.
Pintura por si própria, mesmo quando deixa o pequeno formato e se sente a expandir-se no espaço, é também essencialmente uma pintura matérica, apesar do seu tom construtivo. Os frutos e as personagens são desenhados quase no estilo hiperrealista, com simplicidade, mas com rigor e, sobretudo, com amor, parecendo, às vezes, a intervenção de um arquitecto que desenha a utopia para compor elementos que alternam a realidade com a fantasia.
Mas, se a pintura aparece feminina em todos os sentidos, a tapeçaria que apresenta integrada nesta mostra é-o ainda a mais níveis, pala delicadeza quase barroca das suas composições, pelo rigor da execução e pela simplicidade da sua apresentação. Cheia de suavidade e frescura, tal como a pintura, atesta definitivamente Maria Antónia Santos como uma criadora artística em cujo nome devemos atentar e cuja carreira devemos seguir.
Rodrigues Vaz
A terra, o sol e o mar constroem a matéria onde mergulho os olhos e arrasto os dedos...
Maria Antónia Santos
pintura - Fundação Marquês de Pombal
VOYAGE AU TOUR D'UNE EXPOSITION - texte de Guillaume Santos - plaquette de l'exposition
Sous l'impunité d'autres fautes commises en d'autres temps,je bats derrière moi avec la porte du monde des formes, et part subrepticement et négligemment. vers l'espace rédempteur des boulevards, remplis d'espaces sans limites, séduit par l'appel impatient des rêves que j'emmène pour bagages.
Vertigineuse et vorace, le dépassement de la frontière entre ce côté-ci et l'au-delà de l'imaginaire et du Réel, consommé dans l"instant magique de l'amourachement entre la femme, l'oeuvre et l'art.
Sautant de scène en scène, défilent les scénarios régis par la maestria des couleurs d'une palette prolifère d'enchantements; merveilleux appareil du temps qui tantôt fait de moi, enfant, maître, libre, tantôt précocement courbé par le fardeau de la connaissance chromatique.
Et je vais, me laissant inonder par le doux bercement de chaque scène visitée, me purifiant des nostalgies évanouies par l'incurie de la vitesse insensée de vivre, ravi par la tentation d'immortalité que, dans moi, se concilie et s?affirme.
Merci, Maria Antónia
Guillaume Santos
A artista portuguesa Maria Antónia Santos inaugura la nueva temporada en la galeria Icaria. La muestra que presenta, casi toda inédita, consta de un gran número de obras pictóricas, consecuencia de su alta produccion y dedicación, y unas delicadas cajas de metacrilato que ella misma define como "Tapeçarias Objecto", fruto de su especialización en la Escuela Nacional de Tapiceria de Aubusson.
La inclinación de su obra hacia lo matérico o lo extra-pictórico es altamente palpable, no importa la expresión plástica que emplee. Sus quadros están minados de recortes de papeles, de texturas tintadas, o de la misma pintura que, a veces, aparece corpulenta y gruesa y otras, delgada y sinuosa allí donde imperan los gestos más gráficos, (letras, signos,...); Las "tapicerias objectos", que en esencia son pequeños tapices creados por la artista, se describen con una simplificación de tonos en los que la materia (lanas, sedas, algodones, etc.) parece emanar del tapiz en gesto de ebullición, como queriendo decir alli donde el resto está como mudo. Goza toda su obra de un rico lenguaje proprio, gestual, y fresco, dichoso de una espontaneidade impropria cuando los materiales son protagonistas y que em cambio la artista maneja libremente como si éstos salieran literalmente de los botes de pintura o de las garras del telar.
Alli donde la abstracción se confabula en una exquisita lucha de planicies y relieves, de sutiles materiales, se da una especial evocación, quizá no intencionada, no ya con el paisaje sino con la naturaleza y lo que hay de armónico y de selvaje en ella, lo que hace que su obra brote con una fuerza poética, lirica.
« A verdade advém como o combate entre claridade e ocultação, na reciprocidade adversa entre mundo e terra. A verdade quer introduzir-se na obra como combate entre mundo e terra. O combate não se suprime num ente produzido expressamente para esse efeito; também não vai alojar-se simplesmente nele, vai sim ser aberto justamente a partir dele. Este ente, tem, por isso, em si os traços essenciais do combate. Nesta luta conquista-se a unidade entre mundo e terra». (M. Heidegger)
Na expressão plástica esta análise é, dolorosamente, exacta.
Se não há combate, se o plasticiano não olha para alem do que vê, a sua obra não tem verdade porque nele não está reproduzida a luta entre claridade e ocultação, temos apenas um amálgama do real objectivo.
Mas o que é esta luta entre claridade e ocultação,entre mundo e terra? Maria Antónia Santos sabe e a sua obra prova-o.
A visão integradora do autêntico plasticiano constrói uma expressão própria de um segmento de terra que se transforma em mundo, e aí se oculta, muitas vezes para sempre. Mas o plasticiano quer desocultar esse mundo e trazê-lo à claridade, para nós, entra no terrível combate da verdade.. Só ele conhece esse mundo e só ele se desocultou, ou não, quando se realizou. Fruir a pintura, por quem a vê, é também um combate, não o da criação mas o da hermenêutica.
A hermenêutica da pintura não é como a da escrita na qual a estrutura semântica e a análise semiótica nos permitem chegar à verdade.
Toda a expressão plástica é, no rigor da palavra, abstracta; mesmo que o quadro seja rico de figuras, humanas, animais ou vegetais. Porque nele as figuras são figurações, não portadoras de um sentido oculto e esse sentido é que é a verdade da obra.
Ver pintura é, também, um combate.
Criticar um quadro é pintar outro, que exprima melhor, desoculte melhor, o mundo inventado e o sentido que o pintor plasticiano lhe atribuiu ao inventá-lo.
Olhando os quadros de Maria Antónia Santos,pressinto que a verdade da sua pintura, julgo intuir, num outro, o segredo desocultado - e por isso adoro.
Guillaume Santos (Scipion)
É o prazer do trabalho, que a obra não é só sonho e é difícil ser-se simples sem se cair no efeito de se encher toda a superfície. As formas, em cada caso, em cada tapeçaria, mantêm o ritmo genético de um movimento transformador coerente e bem integrado no espaço quase uniforme da textura impecável?
Que outras surpresas nos estarão reservadas?
Louro de Almeida
É o suor, o riso, o cansaço.
É a cor, o renascer da noite e fica brilho e sol e água.
E fica fogo e grito.
Os dedos ardem nas cordas da cítara, são sangue, raízes da memória.
Mais tarde caminham lentamente no alisar do pêlo rugoso e acre, selvagem, da lã.
Maria Antónia Santos
Tapeçaria - Galeria CTT – Lisboa
TAPEÇARIAS DO SUOR, DO RISO, DO CANSAÇO...
Expõe-se agora na Sala Anos 90, uma série de Tapeçarias assinadas pela pintora Maria Antónia Santos. Formada pela ESBAL, decidiu enveredar também pelas artes texteis, tendo trabalhado duramente em Aubusson. Durante o ano de 1971 e parte de 1972 ali estagiou, tendo demonstrado tal perícia na execução do baixo-liço, característico dos ateliers de Aubusson, que é chamada à direcção da École Nationale de Tapisserie para fazer um «ladies agreement». Neste acordo comprometia-se Maria Antónia Santos a não criar em Portugal nenhum Centro de Tapeçaria, tendo o mesmo acontecido ao japonês Tetsuo.
De volta ao nosso país, Maria Antónia Santos não consegue sobreviver, nem como professora de artes dos tecidos,tendo optado por dedicar-se à tapeçaria em complemento à sua carreira de docente do ensino secundário.
A formação clássica recebida em França projecta-a para a exploração de composições cheias que cobrem as superfícies das suas primeiras peças, referenciáveis aos fundos medievais «aux plantes» e «aux animaux» de «La Dame à La Licorne». Contudo a gramática utilizada não é figurativa, em conjugação com o pendor abstracto desses anos 70.
Desligando-se aos poucos desse forte e estimulante passado, Maria Antónia Santos inicia então o seu próprio processo criativo exprimindo-se em composições sóbrias e libertando-se das apertadas regras da técnica de Aubusson.
No Poema II, encontra-se grande subtileza no desenho dos rítmos que ondulam numa só aparente singeleza de símbolos geométricos, que os são também da vida, e do espaço cósmico. O grande equilíbrio entre os elementos formais pode também aparentar a matriz feminina e os seus adjacentes centros de fecundação.
A Noite reverte para outro semelhante silêncio,executado em técnica mista onde o círculo da lua reflectido a cinzento, domina o rectângulo do plano negro onde o vermelho se alonga descrevendo curvas de ligeira acentuação.
Le Rouge et le Blanc corresponde a um ponto de ruptura em que é valorizada a plasticidade da seda ou da lã, exaltando os valores matéricos em detrimento das formas que se organizam numa maior contenção.
Esta pesquisa, remete para a busca de uma outra linguagem que surge já bem definida na Trilogia---Fecundação, Desalento e nos Incidentes do Quotidiano. Estas últimas peças contêm paisagens de terra onde as carregadas texturas se vão diluindo para permitir a introdução da cor. A Trilogia parte do arado para a semente e para o fruto. No Desalento a gota de sangue pende em vermelho vivo,tecida em fios de seda. Nos Incidentes do Quotidiano,a fractura rasga toda a teia, criando-se uma fortíssima incisão. Esta estabelece um violento contraste formal e técnico com o fundo de dimensões permenentemente rectangulares.
Maria Antónia Santos preenche assim um percurso em que a dominância se faz,exaltada pelos fios da trama que continuamente entrelaça de caminhos e de rugosidades caprichosas, através da dignificação da vocação própria da mulher.
A mestria do seu trabalho e a solenidade simples das suas composições, são momentos vivvidos no real e ligados ao concreto da sua experiência pessoal.
Madalena Braz Teixeira
Directora do Museu Nacional do Traje
Barro, areia, terra castanha.
Cores planas delimitadas por si próprias
num recorte preciso.
Sobriedade de pormenores, ausência do supérfluo
E depois a ternura da observação atenta,
a exigência da forma estética, o sorriso do insólito.
Terra, sobriedade, ternura, três palavras usadas
neste texto.
Terra, sobriedade, ternura, três palavras aplicadas
na pintura de Maria Antónia Santos.
Intensamente.
Como na vida.
João Viegas
Qualquer mensagem estética oferece-nos, por vezes, uma imediata descodificação apressada e/ou deturpada numa primeira leitura. E encontro-me com Umberto Eco quando ele se interroga se «Terá sentido uma pesquisa crítico - filosófica sobre a arte contemporânea quando os jovens de todos os países afirmam e com razão, a primazia do compromisso da acção directa, da reorganização radical de todas as relações procurando estabelecer, não novos modos de ver, representar ou estudar a vida , mas novos modos de vida, mais justos e mais livres?»
Só a inequívoca amizade e admiração por Maria Antónia Santos me levaram a ceder ao seu pedido para escrever algumas palavras para o catálogo da sua exposição.
É como «mulher das letras», procurando os processos de conhecimento que reflectem uma forma de espelhar a vida onde se insere a minha fascinação pela pintura desta artista. Janelas com portadas de madeira, as varandinhas em ferro, as imaginárias cordas onde se estende a roupa dos mais desprotegidos, são o condicionamento social que acciona a mão do artista de dentro para fora.
Essa vivência/desmistificação dimensiona-se numa expressividade consciente e cívica com que Maria Antónia Santos sem impor, persuade.
A escolha dos tons quentes onde se misturam os cinzas e o branco funcionam como uma motivação profunda, referentes a traços da sua conduta e personalidade.
A pintura de Maria Antónia Santos é, a meu ver, um estimulante apelo à nossa responsabilidade colectiva. A esse apelo, actividade participante desta pintora, numa janela ou porta aberta/entreaberta, nos encontramos naquela encruzilhada inquietante onde desponta a esperança.
Leonoreta Leitão
O despojamento.
Sobretudo o despojamento.
Embora o branco do excesso. A cintilação que a aragem que circula invisível ou mesmo o vento imprime a estes quadros de Maria Antónia Santos.
Do espaço anterior, ocupado pelo corpo na sua pintura, resta asugestão de interior-intimidade dado pelas janelas e pelas portas que se entreabrem sugerindo; ou se fecham, impedindo, exactamente, 0 olhar -- nosso olhar -- sobre os corpos...
Porque, nestes quadros o importante não é tanto aquilo que se vê, quanto o que habita o interior do silêncio na penumbra das casas: portanto não o real existente e sim o que depende do nosso imaginário.
Mas como disse Lacan, "O imaginário e o real agem ao mesmo nível". Assim, Maria Antónia Santos sugere tudo recusando tudo ao mesmo tempo; no limite do quotidiano feminino.
Peças de roupa, agora, onde anteriormente fragmentos de corpos?
Linhas, cordas (cordão umbilical?) ligando que memória do que cobre e sugere o quente, o uterino, ou mãos correndo a lã, contendo o afago sobre a pele...Onde se pendura o lavado -- livre do sujo -- ou se seca já a água do desejo...
Multiplicando.
Multiplicando sempre em infinitas perspectivas diversas, as inúmeras formas (fórmulas) de chegar possivelmente até ao universo da mulher; o universo também da infância, que afinal se esconde nestas casas.
Perturba estas casas.
Nos perturba por detrás das janelas e das portas, das paredes destas casas.
Aceitemos a proposta de Maria Antónia Santos e visitemos o que por ela nos é sugerido.
Porque neste universo, a partir de agora, tudo está dependente do nosso olhar.
Maria Teresa Horta
Imprensa
ABC Blanco y Negro Cultural
Iván de la Torre Amerighi
Hablar, con respecto al arte portugués contemporáneo, de un mundo tan cercano y tan desconocido, tan particular y, por otro lado, tan parecido en cuanto a sus etapas y movimientos últimos, es recurrir al tópico. Lo bueno - o lo malo, segundo se mire -, es que todo tópico encierra en si mismo una gran parte de verdad. Maria Anmtónia Santos es una artista de amplia trayetoria - casi veinte exposiciones individuales en su país durante un periodo de treinta años la avalan - cuya obra pictórica o textil tan sólo ha podido ser contemplada en España en tres colectivas. Ahora, la galería Icaria le ha ofrecido la oportunidad de presentar un sorprendente conjunto de obras inéditas, donde combina el formato pictórico con objetos textiles que denomina Tapeçarias Objecto.
Su formación en la Escuela de Bellas Artes de Lisboa y su posterior beca de la Fundación Calouste Gulbenkian, así como la especialización en la École National de Tapisserie d'Aubusson, caracterizan una doble vía expresiva que es definida por una misma voluntad creativa. Los objetos textiles, plenos de sutilidad y efectismos cromáticos, comparten con la faceta puramente pictórica la plasmación de un recuerdo sensitivo - casi un "paisaje de la memoria" -, el virtuosismo técnoco, la combinación de materiales diversos y unos resultados de voluptuosa expresividad formal.
Deriva Abstracta
El lenguaje de Mª Antónia Santos, que sorprendente por su fuerza y frescura, encuentra su pun to de equilibrio entre la evocación figurativa y la deriva abstracta. Hermana, a veces de manera brutal, la densidad y opacidad de ciertas capas pictóricas con las veladuras y transparencias del papel japonés. Interrelaciona, también, grafismos, letras, gestos, referencias figurativas, raspaduras y colajen.
La artista ha encontrado en la combinación de materiales diversos uno de sus cauces de expresión sensitiva. La decantación por un lenguaje informal y su interés por el tratamiento de la materia no le hacen tratar el cuadro como un muro ni como un emblema; así, no renuncia a la evocaciónde una imagen aunque esta esté imbricada en el substrato subjetivo de la memoria. Sin caer en sentimentalismos, desde los lienzos, se evocan con frecuencia pasajes vividos de Venecia. Pero no hay premeditación ni anédocta. Tampoco narración. El gesto y la materia bastan para evocar recuerdos virtuales, no objetivos; pequeños retazos particulares de un sentimiento: un olor, una luz, un color que toman forma conforme la materia y su manipulación cobran vida sobre el suporte.
ABC n.º 32.071 Cultura
Laura Fajardo
La artista portuguesa presenta en la galeria Icaria sus obras en la muestra DE LAS SOMBRAS Y SILENCIOS - Laura Fajardo
Ante una expresión que procura no resultar explicita, el receptor se afana por detectar las claves que la permitan reconstruir el mensaje artístico. Tal bûsqueda, que parte de los indicios de lo real, acba por tomar las infinitas respuestas del plano imaginário, y es en esa reconstrucción en la que la obra de arte se enriquece. La creadora lusa Maria Antónia Santos desarrolla en "De las sombras y sillencios", muestra de obra reciente, en su mayoría inédita, su particular forma de experimentar la creación artística. Una exposición que se exhibe asta el próximo 16 de octubre la Galeria Icaria.
En sus pinturas, Maria Antónia Santos dota de protagonismo a la materia. La presencia de diversos materiales y el tratamiento que da a las texturas, sobredimensionándolas, contribuyen a que la obra pictórica se manifieste como un objeto orgánico. Obras de las que parecen brotar los impulsos de una naturaleza turgente, llenas de vita, exprsividad y lirismo. "Siento que soy una creadora institiva. Mi pintura es una construcción aparente de una realidad subjetiva, por lo que busco una relación inteligente entre lo visible y lo imaginario", afirma la artista portuguesa.
Junto a sus pinturas, presenta en esta exposición otra línia de trabajo que desarrolla de las "tapicerías objeto",piezas cuya factura delatan su especialización en la Escuela Nacional de Tapiceria de Aubusson. Se trata de pequeños tapices que ella misma elabora de los que brotan retales de materiales como lanas, sedas y algodón, como signos de una vida que emana a borbotones.
Con independencio del suporte, los materiales o las técnicas utilizadas, del trabajo de Maria Antónia Santos se desprende de la aspiireción por retomar la pureza de los instíntos, de todos aquellos impulsos incontrolables que encierran en si mismos la pureza de lo primigenio, de lo que aún no ha sido mediatizadopor los esquemas predeterminados de lo artístico. Un estilo que desvela la personalidad de una creadora que tan sólo atiende al compromiso de engendrar la obra de arte para alcanzar la propria idea de la plenitud.
"El trabajo del artista plástico es particularmente difícil. Intenta responder a una demanda estética, la de crear belleza, y eso se convierte en un ser particularmente egocêntrico", concluye la artista, en cuya obra resulta tan transcendental lo que se muestra como que se calla.
La Voz de Alcalá
Ano XII / n. °138 / Cultura
La nueva temporada de arte en la Galería Icaria de Alcalá de Guadaíra se abre con la exposición « De las sombras y silencios », de la artista portuguesa Maria Antónia Santos. La muestra, que tendrá lugar del 13 de septiembre al 22 de octubre, es casi toda inédita y se compone de numerosas obras pictóricas y obras que ella llama « tapeçarias objecto » o « tapicerias objetos », fruto de su especialización en la Escuela Nacional de Tapiceria de Aubusson. Estas obras son pequeños tapices que derivan más hacia lo material, hacia las texturas y el relieve, que hacia lo pictórico.
La artista, nacida en Lisboa, ha sido Medalla de Bronce de Tapiceria y II Premio en la muestra ERA ART en Gdynia, Polonia, entre otras. En España ha participado en varias muestras individuales y colectivas, como Espacio AVE (Madrid,1995), la VII European Textil Network (Madrid, 1998) y en la Galería Marabelló (Barcelona, 1997).
Su obra esta presente en coleciones particulares y en museos portugueses y extranjeros.
Correio da Manhã
Rodrigues Vaz
A propósito da pintura de Maria Antónia Santos alguém aplicou recentemente três simples palavras para a definir: terra, sobriedade, ternura.
Sobre a tapeçaria que actualmente mostra no sempre dinâmico Museu do Traje, o mesmo podería-mos dizer, havendo ainda a acrescentar: serenidade, bom gosto e eficácia visual.
Misturando lã com seda, algodão, juta, estopa e linho, como se de um único material se tratasse, Maria Antónia Santos vai urdindo, qual Penélope à espera de um Ulisses que tarda, teias de maravilha cheias de encanto, onde ressalta não só o equilíbrio da cor mas muito especialmente a harmonia de uma composição onde os volumes aparecem naturalmente como os jogos de rupturas.
Utilizando as várias texturas matéricas de uma forma muito definida e objectiva, Maria Antónia Santos elimina nas suas tapeçarias não só o supérfluo mas tudo o que poderia ser complementar. Isto é, poderíamos falar aqui do rigor quase absoluto.
Com seda, algodão, lã, juta, estopa e linho, e também com fibra acrílica, além da indispensável força criadora se fazem lindas tapeçarias, que antes serviam para tornar os soalhos mais fofos e depois foram promovidas para decoração fina. As de Maria Antónia Santos são modelo de execução.
Prémios e distinções ganhos pela artista Maria Antónia Santos
Medalha de Homenagem
Portimão/Portugal
Medalha de Bronze em Tapeçaria
Estoril/Portugal
Mensão Honrosa para Pintura
Barcelona/Espanha
Mensão Honrosa para Pintura
Estoril/Portugal
Segundo Prémio ERA Art de Gdynia
Polónia
Contactos de Maria Antónia Santos
Telefone: (+351) 21 364 12 77
Telemóvel: (+351) 96 326 40 38
Email: info@mariantoniasantos.com
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